MONITOR DE SECAS DO MÊS DE NOVEMBRO DE 2019

Condições Meteorológicas do Mês de Novembro de 2019

O mês de novembro marca o estabelecimento do período chuvoso no Tocantins, sul do Maranhão e Piauí, centro-sul e oeste da Bahia bem como em toda a área dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, onde os acumulados ao longo deste mês oscilam entre 100 mm e 250 mm. Na área central do Piauí e Maranhão, bem como em parte do centro-norte da Bahia e extremo sul de Sergipe, estes volumes variam entre 50 mm e 100 mm. Já no extremo norte da Bahia, norte do Maranhão, norte e nordeste do Piauí, maior parte de Sergipe, em todo o território dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, os maiores volumes esperados não ultrapassam 50 mm, como pode ser observado na Figura 1 (a).

Os maiores volumes de chuva foram observados no centro-sul de Minas Gerais, litoral do Espírito Santo e em pontos isolados do centro-sul de Tocantins, com acumulados variando de 200 mm a valores acima de 400 mm. No Nordeste do Brasil (NEB), os volumes mais expressivos foram registrados no Recôncavo Baiano e em trechos do sudeste e oeste do Maranhão, onde foram observados acumulados entre 200 mm e 400 mm. Já no trecho entre o Ceará e o sertão de Alagoas, o predomínio foi de pouca ou nenhuma chuva (acumulados inferiores a 20 mm). Nas demais áreas do NEB, o acumulado de chuva variou de 20 mm a 80 mm, isso é enfatizado pela Figura 1 (b).

Em relação à anomalia de precipitação exibida no mapa da Figura 1 (c), verifica-se que os maiores desvios pluviométricos negativos foram observados na faixa central e oeste de Tocantins, centro-sul e oeste da Bahia, no centro-norte de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e proximidades do Vale do Rio Doce, estendendo-se ainda em direção ao oeste do Espírito Santo. Por outro lado, chuva acima da média histórica foi observada no oeste do Maranhão, leste do Piauí e sertão de Pernambuco, Recôncavo e nordeste baiano, leste do Espírito Santo e em parte do Sul de Minas Gerais. Nas demais áreas, a chuva observada ficou em torno da média histórica.

 

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Figura 1. Espacialização da precipitação (mm) mensal no mês de novembro na região Nordeste do Brasil (NEB) e dos estados de Tocantins, Minas Gerais e Espírito Santo: (a) Climatologia; (b) Precipitação acumulada; (c) Anomalia de precipitação. Fonte: Produtos apoio Monitor de Secas.

 

Síntese do Traçado do Monitor de Secas de Novembro de 2019

Em uma pré-análise, foram considerados os índices SPI (Indicador Padronizado de Precipitação) e SPEI (Indicador padronizado de Precipitação-Evapotranspiração), para 3, 4, 6, 12, 18 e 24 meses, com maior detalhamento para os estados do Ceará (CE), Rio Grande do Norte (RN), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Alagoas e Bahia (BA), em virtude de uma quantidade maior de pontos e informações que esses estados apresentam. No intuito de compensar o déficit de informações, tanto para esses estados quanto para as demais áreas do NEB e para os estados de Minas Gerais, Tocantins e Espírito Santo, foram utilizados os seguintes produtos de apoio: climatologia da precipitação mensal, precipitação observada e anomalia do mês de novembro, temperaturas máximas, médias e mínimas deste mês e do trimestre (SON), bem como o índice de saúde da vegetação (VHI) ao longo de novembro (valores mínimos e médios, absolutos e normalizados). Para o traçado deste mapa foi considerada a seca física, levando-se em conta os índices SPI, SPEI e COMBINADO de curto (mínimo de SPI 03 e 04 com SPEI 03 e 04) e longo (mínimo de SPI 12,18 e 24 com SPEI 12,18 e 24) prazo, levando-se em conta também os impactos da seca na população urbana e rural. Os índices que englobam proxies de escoamento superficial e a presença de veranicos (SRI e SDSI) também foram avaliados.

Comparando-se o mapa validado no mês de outubro de 2019 (Figura 2.a) com o mapa de novembro de 2019 (Figura 2.b), verificam-se algumas mudanças no traçado, que são transcritas a seguir.

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Figura 2. Mapas do Monitor de Seca em 2019: (a) Outubro; (b) Novembro/2019 validado.

 

No Maranhão houve a expansão da seca fraca (S0) em direção ao oeste devido às anomalias negativas de chuva e ao combinado de curto prazo. Houve também a expansão da área de seca moderada (S1) para o sul e sudeste do estado. Este agravamento da intensidade da seca com base no combinado de curto prazo, subsidiou o surgimento de uma área de seca grave (S2) no leste Maranhense, que se expandiu em direção à faixa central do Piauí. Os impactos de curto e longo prazo se expandiram seguindo a área de seca moderada (S1).

No Piauí houve a expansão da área de seca moderada (S1) para o norte do estado. O agravamento da intensidade da seca com base no combinado de curto prazo, subsidiou a expansão da área de seca grave (S2) no sudoeste e sudeste piauiense, assim como o surgimento de uma área de seca grave (S2) na faixa central, que se estende do leste do Maranhão até o oeste do Ceará. Não houve modificações nos impactos, permanecendo de curto e longo prazo no centro-sul do Piauí, e apenas de curto prazo em sua porção centro-norte.

No Ceará, embora os volumes de chuva tenham ficado em torno da média histórica, baseado no SPEI e no combinado de curto prazo houve a expansão da seca fraca (S0) e da seca moderada (S1) em direção ao norte do Estado. Também em razão da diminuição na magnitude do índice combinado de curto prazo, houve o surgimento de duas áreas de seca grave (S2), além de uma sobre parte dos sertões de Crateús e Inhamuns, e outra em parte do Vale do Jaguaribe. Os impactos permaneceram na escala de curto prazo no centro-norte cearense, e de curto e longo prazo no centro-norte.

No Rio Grande do Norte houve a expansão da área de seca grave (S2) em áreas do Médio, Alto Oeste e Seridó, quando é levado em consideração o SPEI de curto prazo. Já no restante do território potiguar, não houve alterações na intensidade da seca. Nesse sentido, os impactos são de curto e de longo prazo em toda a área com seca no estado.

Na Paraíba o SPEI de curto e de longo prazo sugerem o aumento da severidade da condição de seca. Com isso, no Agreste e na Zona da Mata paraibana houve a expansão da área de seca fraca (S0) e de seca moderada (S1) em direção ao litoral, bem como também houve o aumento da área de seca grave (S2). Os impactos nesse estado são de curto e de longo prazo.

Em Pernambuco, apesar da precipitação ter ficado acima da média no Sertão, as chuvas foram mal distribuídas, com altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar em praticamente todos o mês de novembro, contribuindo para expansão da área de seca grave (S2) no Sertão. Também houve a expansão da área de seca fraca (S0) e de seca moderada (S1) em direção ao litoral devido ao combinado de curto e longo prazo, bem como ausência de chuvas e altas temperaturas no setor leste do Estado. Os impactos são de curto prazo na área mais próxima ao litoral, enquanto nas demais áreas mantiveram-se de curto e longo prazo.

Os índices combinados de longo e curto prazo refletem aumento da severidade da condição de seca no estado de Alagoas, tanto em área como em intensidade. Com isso, foi verificado a expansão da área de seca fraca (S0) e de seca moderada (S1) em direção ao litoral, bem como o surgimento de uma área de seca grave (S2) no noroeste do estado. Os impactos são de curto e longo prazo no Agreste e Sertão alagoano, e apenas de curto prazo na faixa leste.

Em Sergipe o índice combinado de longo prazo, bem como as informações relatadas por validadores locais, justificou o surgimento de uma área de seca grave (S2) no Alto Sertão Sergipano. Houve também o avanço da área de seca moderada (S1) no Centro Sul Sergipano e no trecho mais a leste do Baixo São Francisco Sergipano. No Alto e Médio Sertão os impactos agora são de curto e longo prazo, enquanto no Baixo São Francisco, Grande Aracaju, leste e sul sergipano são apenas de curto prazo. Já o Agreste central e centro sul do estado mantiveram-se com impactos de longo prazo.

Os indicadores de curto prazo refletem um atraso no início do período chuvoso do centro-sul e oeste da Bahia, o que contribuiu para um aumento da seca nesta faixa. Assim, houve uma expansão da seca grave (S2) no oeste baiano e em parte do sudeste, bem como o surgimento de uma área com seca fraca (S0) no litoral sul. A região norte do estado ainda mostra condição de seca extrema (S3), embora com uma leve redução na área, enquanto na faixa central do estado ainda predomina seca grave (S2). Já em parte da Chapada Diamantina e nordeste baiano, devido aos altos volumes de chuvas registrados nos últimos meses (condição observada no SPI e SPEI de curto e longo prazo), ocorreu uma redução das áreas de seca fraca e moderada (S0 e S1). Os impactos permanecem de curto e longo prazo no centro-oeste, de curto prazo na região sul e apenas de longo prazo em parte da Chapada Diamantina e nordeste do estado.

Em Minas Gerais, houve a expansão da área de seca grave (S2) em direção ao Triângulo Mineiro, Vale do Jequitinhonha e Vale do Rio Doce com base no SPI, SPEI e combinado de longo prazo. A expansão da seca moderada (S1) no Sul e na Zona da Mata também foi observada. Este fato é devido aos índices combinados de curto e longo prazo. A ocorrência de anomalias positivas de precipitação justificou o recuo da seca fraca (S0) no Oeste Mineiro. Os impactos de curto prazo ficaram restritos a área do Triângulo e do Oeste Mineiro, ficando as demais áreas sob impactos de curto e longo prazo.

A ocorrência de anomalias positivas de chuva no Espírito Santo, principalmente no trecho sudeste do estado, ocasionou a diminuição da seca fraca (S0) nesta área. No nordeste do estado os impactos passaram a ser de curto e longo prazo, assim como nas demais áreas.

No Tocantins, houve a expansão da seca moderada (S1) em direção ao norte do estado baseado no SPI de curto prazo, SPEI de longo prazo e nos combinados de curto e longo prazo. Na área da seca moderada (S1) os impactos são de curto e longo prazo, enquanto os demais trechos permaneceram com curto prazo.

Para o traçado do mapa R2 referente ao mês de novembro de 2019, foram utilizadas as considerações feitas na reunião de autoria realizada no dia 10/12/2019 por representantes da INEMA-BA, APAC-PE, FUNCEME-CE, IGAM-MG, INCAPER-ES e ANA. De grande valia foram as respostas por parte dos validadores, cujas instituições são nomeadas a seguir: LABNET-NUGEO-UEMA/MA, INEMA/BA, APAC/PE, IPA/PE, IGAM/MG, SEMARH/AL, SEMARH/TO, EMPARN/RN, EMATER/RN, AGERH/ES, INCAPER/ES, CEPDEC/ES, CESAN/ES e SEMARH/SE.

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