MONITOR DE SECAS DO MÊS DE JUNHO DE 2020

Condições Meteorológicas do Mês de Junho de 2020

 

O mês de junho faz parte do período chuvoso no leste do Nordeste Brasileiro (NEB) e do período seco em grande parte do centro-norte e oeste desta região, bem como no Centro-Oeste do Brasil. A distribuição das precipitações observadas durante o mês de junho de 2020, na Região Nordeste e demais áreas de abrangência do Monitor, está representada na Figura 01 (a), a climatologia dessas regiões para o mês de junho, na Figura 01 (b) e os desvios de precipitação em relação à climatologia do mês na Figura 01(c).

De acordo com a climatologia do último mês, os maiores volumes de precipitação, com valores acima de 150 mm, ocorrem no noroeste do Maranhão e no litoral leste do Nordeste. Volumes precipitados inferiores a 20 mm são esperados para o interior da região Nordeste, como também maior parte dos estados de Minas Gerais, Goiás e Tocantins, além do Distrito Federal. Para os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro a climatologia mensal de junho varia de 20 mm a 90 mm.

Em junho de 2020, precipitações com acumulados superiores a 150 mm ocorreram no noroeste do Maranhão e em grande parte do litoral leste do NEB. Já as menores precipitações ocorreram no interior do NEB, bem como nos estados da parte central do Brasil, resultado do estabelecimento do período seco nessas áreas. Os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro apresentaram grande variabilidade e ficaram em um nível intermediário entre os acumulados ocorridos nos demais estados, com registros entre 2 mm e 150 mm.

Figura 01 - Espacialização da precipitação (mm) mensal no mês de junho/2020 nas regiões de abrangência do Monitor de Secas: (a) precipitação acumulada; (b) climatologia; (c) anomalia de precipitação. Fonte: Produtos de apoio do Monitor de Secas.

Figura 01 – Espacialização da precipitação (mm) mensal no mês de junho/2020 nas regiões de abrangência do Monitor de Secas: (a) precipitação acumulada; (b) climatologia; (c) anomalia de precipitação. Fonte: Produtos de apoio do Monitor de Secas.

Síntese do Traçado do Monitor das Secas do Mês de Junho de 2020

 

Em relação ao mapa do Monitor, vale a pena ressaltar a inclusão do estado de Goiás e do Distrito Federal a partir desse mês.

Ao comparar o mapa validado em maio de 2020 (Figura 02a) com o mapa de junho de 2020 (Figura 02b), verifica-se que, quando analisado o período dos últimos meses, há um predomínio de chuvas acima da média, o que vem contribuindo para uma contínua redução da severidade e das áreas de seca na maior parte da região Nordeste, onde agora predominam condições que variam de sem seca relativa à seca fraca. Porém, devido à grande variabilidade das precipitações, ainda há pequenas áreas de seca com intensidade variando de moderada à grave. Vale ressaltar que toda a seca na região possui impacto apenas de longo prazo (L).

Nos estados das demais regiões do Brasil analisadas pelo Monitor de Secas, houve o aumento de áreas com seca nos estados do Espírito Santo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Como é a primeira vez que o Distrito Federal e Goiás constam do acompanhamento, ainda não é possível comparar a situação de ambos em relação a meses anteriores.

 

Figura 02 - Monitor de Secas: (a) maio/2020; (b) junho/2020

Figura 02 – Monitor de Secas: (a) maio/2020; (b) junho/2020

Em Alagoas, as precipitações acumuladas em junho variaram de 20 mm a 300 mm. As precipitações de junho, associadas aos indicadores de longo prazo, auxiliaram para a redução da área com seca fraca (S0) no centro-leste do estado, deixando a maior parte desta faixa sem seca relativa. Todo o estado alagoano se encontra apenas sob os impactos de longo prazo (L).

Na Bahia, onde houve registro de chuva, os acumulados de junho variaram entre valores abaixo de 10 mm, na porção centro-oeste, e valores em torno de 250 mm no litoral. Tal condição, somada à uma melhora nos indicadores de curto e longo prazo, favoreceu a uma redução da intensidade da seca (de moderada para fraca) em grande parte do centro-sul do estado. Também houve uma pequena expansão da área sem seca em parte do setor nordeste e, ainda, no extremo sul. No extremo norte, onde faz divisa com o Piauí, ainda prevalece o núcleo de seca grave (S2). Os impactos em todo o território baiano são apenas de longo prazo (L).

No Ceará, onde houve registro de chuva, os acumulados no mês de junho variaram entre 2 mm e 120 mm, sendo os maiores valores observados na região litorânea e nordeste do estado. Com base na precipitação dos últimos meses e nos índices de longo prazo, não houve mudanças quanto aos níveis de seca, permanecendo a condição de seca fraca (S0) na região central do estado. Os impactos se mantêm apenas de longo prazo (L).

No Distrito Federal, não houve registros de chuvas em junho desse ano. As anomalias de precipitação ficaram ligeiramente abaixo da média climatológica. No entanto ainda não apresenta resultados visíveis nos indicadores, e por essa razão, manteve-se a condição normal, sem seca relativa.

No Espírito Santo, com precipitações variando de menos de 5 mm a cerca de 100 mm no mês de junho, as condições atuais apontam para um ligeiro aumento da área de seca fraca (S0) em direção ao sul do Litoral Norte do Estado, em razão das anomalias negativas no último mês, o que refletiu na piora dos indicadores, ficando esta sob os impactos de curto prazo (C).

No estado de Goiás, as anomalias negativas de precipitação ocorridas nos últimos meses, principalmente no sul, no noroeste e no centro goiano têm contribuído para a piora dos indicadores. Desse modo, houve um aumento da área de S0 e S1 em direção à divisa com Minas Gerais, baseado nos indicadores combinados de curto e de longo prazo. Houve também um aumento da área de S2 em direção ao noroeste, com as evidências baseadas nos indicadores de seca. Vale destacar que por causa da piora dos indicadores de curto prazo houve um avanço da linha de curto e de longo prazo (CL) em direção ao Sul goiano em relação ao mês anterior. Por outro lado, houve recuo na linha de impacto no Noroeste goiano, que passou a ser apenas de longo prazo (L).

No Maranhão, as precipitações ficaram abaixo de 60 mm quase todo o estado, excetuando a região norte, onde os acumulados oscilaram entre 60 mm e valores acima de 250 mm. Devido ao déficit de precipitação observado no setor central do Maranhão ao longo dos últimos meses, manteve-se a condição da seca fraca (S0), e com um leve aumento de sua área. No extremo sul, não houve alterações quanto à condição de seca fraca (S0). O restante do estado encontra-se sem seca. Os impactos ainda são resquícios de períodos anteriores e, portanto, permanecem de longo prazo.

Em Minas Gerais, a atual situação aponta para um agravamento nas condições de seca, com o surgimento da área de seca fraca (S0) desde o Triângulo Mineiro até a Zona da Mata, ficando esta área sob impacto de curto prazo (C). Além disto, houve um ligeiro aumento da área de seca moderada (S1) no Triangulo Mineiro/Paranaíba, em razão da piora dos indicadores combinados de curto e longo prazo nesta área. Por outro lado, no setor nordeste do estado houve recuo da seca fraca (S0), devido à anomalia positiva de chuva na região. Os impactos observados são de longo prazo (L), com exceção do Triangulo Mineiro e sul/sudoeste de Minas, cujos impactos são de curto e longo prazo (CL).

A Paraíba apresentou chuvas no mês de junho entre 10 mm e 250 mm. Considerando esta distribuição das chuvas, houve uma redução da intensidade da seca sobre parte do Agreste (moderada para fraca), além de uma pequena diminuição da seca fraca (S0) na região do Cariri, onde faz divisa com Pernambuco, bem como no Sertão, com divisa ao estado do Rio Grande do Norte. Desta maneira, agora há presença apenas de seca fraca (S0) no estado (no Agreste e em parte do setor leste do Sertão), com impactos de longo prazo (L).

Em Pernambuco, os acumulados no mês de junho oscilaram entre valores abaixo de 30 mm (em grande parte do Sertão) a pouco mais de 400 mm (na Mata pernambucana). Com isso, houve uma redução da intensidade da seca no setor norte do Agreste (de moderada para fraca), bem como a diminuição da área com seca fraca (S0) no Agreste e Litoral pernambucano. Desta maneira, ainda há presença de seca fraca (S0) apenas em parte do centro-sul e nordeste do estado, com impactos de longo prazo (L).

No Piauí, neste mês de junho, onde houve registro de chuva, os acumulados variaram entre 2 mm e 100 mm. Considerando ainda os acumulados de chuvas observados nos meses anteriores, houve uma leve redução da seca fraca (S0), em uma pequena área da faixa central do estado. A seca moderada (S1) e grave (S2) continuaram restritas ao extremo sul, onde faz divisa com a Bahia. Em todo o estado, esta seca se apresenta com impactos apenas de longo prazo.

O Rio de Janeiro tem apresentado anomalias negativas de precipitação nos últimos meses, o que acabou refletindo na piora nos indicadores de curto prazo, resultando o surgimento de uma área de seca fraca (S0), que se estende desde o Sul Fluminense, passando por toda a Região Metropolitana, alcançando o sul da Região Serrana, ficando esta área sob os impactos de curto prazo (C).

No Rio Grande do Norte, os acumulados de precipitação em junho variaram entre 10 mm (no setor central) e valores acima de 250 mm (na faixa litorânea). Comparando-se com o mês de maio, houve uma redução da área de seca fraca (S0) na faixa centro-oeste do estado, deixando toda esta área sem seca relativa. Onde há presença de seca, os impactos seguem apenas de longo prazo (L).

O Sergipe apresentou precipitações variando de 70 mm a valores próximos de 250 mm no mês de junho. Tal cenário, somado à uma melhora nos indicadores de curto e longo prazo, propiciou uma redução na intensidade da seca (de moderada para fraca) no extremo oeste do estado, onde faz divisa com a Bahia, além de uma pequena redução da seca fraca (S0) no litoral norte sergipano. Os impactos no estado são apenas de longo prazo (L).

Em Tocantins, as precipitações acumuladas em junho variaram de 0 mm (em grande parte do estado) a 30 mm. Apesar das anomalias ficaram ligeiramente abaixo da média histórica, as áreas e as intensidades de seca permanecem inalterados em relação ao mês anterior (maio). No entanto, vale destacar que, em razão da piora do indicador de curto prazo na mesorregião Ocidental do estado, houve um avanço da linha de impacto de curto e longo prazo (CL) em relação ao mês anterior.

Para o traçado do mapa referente ao mês de junho de 2020, foram utilizadas as considerações feitas nas reuniões de autoria (regionais e nacional) realizada no dia 10/07/2020 por representantes do INEMA-BA, APAC-PE, FUNCEME-CE, IGAM-MG, INCAPER-ES e ANA, bem como pela rede de validadores, durante o processo de validação: SEMARH-AL, AGERH-ES, INCAPER-ES, DEFESA CIVIL-ES, CESAN-ES, CIMEHGO/SEMAD-GO, LABMET/NUGEO/UEMA-MA, IGAM-MG, AESA-PB, APAC-PE, SEMAR-PI, INEA-RJ, EMPARN-RN, EMATER-RN, IFS/UFS-SE, SEDURBS-SE, SEMARH-TO, DEFESA CIVIL ESTADUAL-TO.

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