MONITOR DE SECAS DO MÊS DE JUNHO DE 2016

NARRATIVA DO MONITOR DE SECAS DO MÊS DE JUNHO DE 2016

 

Condições Meteorológicas do Mês de Junho de 2016

Historicamente, conforme pode ser observada na figura 1 (b), no mês de junho, o litoral oeste do Maranhão (MA), uma pequena área na faixa litorânea do Ceará (CE), e a faixa litorânea do leste da região Nordeste do Brasil (NEB), são as regiões do NEB que possuem os maiores índices pluviométricos, com volumes superiores a 150 mm. Em algumas dessas regiões os índices pluviométricos são superiores a 250 mm, principalmente nas áreas litorâneas compreendidas entre Rio Grande do Norte (RN) e centro da Bahia (BA). As demais regiões do NEB, de um modo geral, historicamente, possuem índices pluviométricos inferiores a 75 mm e, em grande parte do NEB, como no centro-sul do MA, grande parte do Piauí (PI), centro-sul do CE, extremo oeste de Pernambuco (PE) e centro-oeste da Bahia (BA), a climatologia de precipitação é inferior a 25 mm.

De um modo geral, no decorrer do mês de junho de 2016, conforme mostra a figura 1 (a), os índices pluviométricos mais significativos ficaram concentrados nas regiões onde historicamente são observados os maiores volumes de chuva. No entanto, observa-se na figura 1 (c), anomalia de precipitação, que no litoral leste do NEB, em uma área compreendida entre o litoral do estado da Paraíba (PB) e grande parte do litoral da BA, e também no litoral oeste do MA, foram observadas anomalias negativas de precipitação. No litoral leste do estado de RN, foram observadas anomalias positivas de precipitação. Nas demais áreas do NEB, foram observadas anomalias positivas de precipitação, como no caso da região centro-sul do MA e PI, em algumas áreas do interior de PE, BA e CE. Porém, cabe ressaltar que, como as médias históricas de chuva nessas regiões não são elevadas, essas anomalias positivas não representam muito em termos de volume absoluto de precipitação. Nas demais áreas da região do NEB, os totais acumulados foram inferiores a sua média histórica, o que contribuiu para a presença de anomalia negativa de precipitação na maior parte da região.

 

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Figura 1. Espacialização da precipitação (mm) mensal no mês de junho na região Nordeste do Brasil (NEB): (a) precipitação acumulada; (b) climatologia; (c) anomalia de precipitação. Página de procedência da figura: http://proclima.cptec.inpe.br/~rproclima/Moni_NE/precobsclim06.gif

 

Síntese do Traçado do Monitor das Secas de Junho de 2016

Em uma pré-análise, foram considerados os índices SPI e SPEI para 3, 4, 6, 12,18 e 24 meses, com maior detalhamento para os estados do Ceará (CE), Rio Grande do Norte (RN), Paraíba (PB) e Pernambuco (PE), em virtude de uma quantidade maior de pontos e informações que esses estados da região Nordeste do Brasil (NEB) apresentam. No intuito de compensar o déficit de informações, tanto para esses estados quanto para as demais áreas do NEB, foram utilizadas, de forma ampla, os seguintes produtos de apoio: climatologia da precipitação mensal, precipitação observada, anomalia de precipitação do mês de junho (e dos meses anteriores), bem como, o índice de saúde da vegetação (VHI) e o indicador de estresse da vegetação (ESI). Com isso, áreas do NEB, onde há poucos pontos de informações, foi analisada, além de complementar as áreas onde a densidade de informações é maior.

É necessário ressaltar que, para o traçado deste mapa, foi considerada a seca física, levando-se em conta, principalmente, os índices SPI e SPEI, de curto e longo prazo, sem analisar as informações dos reservatórios.

Ao comparar o mapa validado no mês de maio de 2016, na figura 2 (a), com o mapa validado no mês de junho de 2016, na figura 2 (b), verificaram-se algumas mudanças no traçado geral (figura 2), tais como:

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Figura 2. Mapas do Monitor de Secas do Nordeste em 2016: (a) Maio; (b) Mapa Validado – Junho.

 

No estado do MA, houve um agravamento da seca em algumas áreas do estado, o que resultou em uma expansão, para a parte norte, na severidade da seca grave (S2) e na seca S1 (litoral leste), verificadas no mês anterior. Destaca-se ainda, o surgimento de uma ampla área com seca extrema (S3) na parte centro-oeste do MA. Essas mudanças foram em virtude das precipitações que ocorreram ao longo do mês de junho, onde estas, praticamente todo o estado, não foram suficientes para minimizar o quadro de seca observada no mês anterior.

No PI, em virtude dos baixos índices pluviométricos observados ao longo do mês de junho, e também nos meses anteriores, houve uma expansão para as regiões norte e centro-sul da seca considerada extrema (S3). Segundo os indicadores, também houve uma leve expansão da seca grave (S2) para a parte norte do estado.

Assim como nos estados do MA e PI, no CE as poucas chuvas que ocorreram no mês de junho também contribuíram para intensificar a seca. Na região metropolitana de Fortaleza, onde era observada uma área sem seca até maio, os indicadores mostram uma seca fraca (S0). Nas demais áreas deste estado, observa-se a expansão, para norte, das áreas S1 (seca moderada) e S2 (seca grave). A seca extrema (S3), também se expandiu para região sul (Cariri) do CE, na divisa com os estados da PB e PE. Além disso, na região Jaguaribana, parte leste, houve o surgimento de uma área com grau de severidade extrema (S3).

Em todo o estado de RN, as precipitações de junho não foram suficientes para amenizar a severidade da seca observada nos últimos meses. Por isso, observa-se o aumento da área com seca extrema (S3) nas regiões central e oeste deste estado. Nas demais áreas do estado os indicadores também apontam expansão das secas com intensidade grave (S2) e moderada (S1) em direção à parte leste do estado. E somente permanece parte do Litoral Sul em situação caracterizada como “sem seca”.

Na PB, em relação ao mês de maio, houve uma expansão nas categorias de seca fraca (S0), moderada (S1) e grave (S2) em direção à parte leste deste estado devido a redução das chuvas no setor leste da PB, principalmente nas regiões do Agreste e Brejo. Os indicadores apontam ainda, o surgimento de seca extrema (S3) na região sudoeste deste estado.

No estado de PE, os indicadores mostraram uma expansão das categorias de seca fraca (S0), moderada (S1) e grave (S2), observadas no mês anterior (maio) para o setor leste do estado, devido à diminuição das chuvas no mês de junho, que é considerado o período chuvoso do leste do NEB. Também foram verificadas mudanças na porção centro-norte de PE, onde se verificou um aumento na área de seca extrema (S3). A faixa litorânea, em virtude dos índices pluviométricos observados em junho, os indicadores mostram a continuidade de uma área sem seca.

Nos estados de AL e SE, em virtude das chuvas observadas ao longo de junho, alguns produtos de apoio como índice de vegetação (VHI) e indicador de estresse da vegetação (ESI), não mostram uma piora ou melhora na seca observada ate o mês anterior. Assim, mantiveram-se todas as condições de seca observada no mapa de maio.

Na Bahia (BA), as chuvas do mês de junho, normalmente, se concentram na faixa litorânea, principalmente em uma área compreendida entre o Recôncavo Baiano e o litoral norte. No entanto, as poucas chuvas registradas nesse mês (em 2016), inclusive, nas regiões onde são esperados volumes mais expressivos foram bastante escassas e irregulares, o que contribuiu para a expansão da seca com grau de severidade S2 (seca grave). Além disso, o material de apoio juntamente com os indicadores SPEI, mostram uma expansão das secas com severidade extrema (S3) para toda a região oeste e centro-sul deste estado.

Em relação ao tipo de impacto, até o momento, em todas as áreas foram observados impactos de curto e longo prazo (CL).

Para o traçado, do mapa do mês de junho, foram utilizadas as considerações feitas no processo de autoria e validação pelos representantes da ANA-DF, AESA-PB, INEMA-BA, APAC-PE, ARESTech, UEMA-MA e EMPARN/EMATER-RN.

 

 

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