MONITOR DE SECAS DO MÊS DE JULHO DE 2016

NARRATIVA DO MONITOR DE SECAS DO MÊS DE JULHO DE 2016

 

Condições Meteorológicas do Mês de Julho de 2016

 

O mês de julho é considerado um mês chuvoso, com precipitações acima de 200 mm, no setor leste do Nordeste brasileiro, como representado na Figura 1b. No noroeste do Maranhão também são esperadas chuvas significativas, com valores acima de 150 mm, nesse período. Ainda esperam-se chuvas entre 25 e 50 mm no norte do Piauí, centro e norte do Ceará, centro oeste do Rio Grande do Norte e da Paraíba, cparte central de Pernambuco e da Bahia. Porém, na maior parte da Região já iniciou o período seco, onde as precipitações esperadas são inferiores a 25 mm.

As precipitações com ocorreram em julho de 2016 ficaram muito abaixo do esperado em toda região Nordeste, excetuando-se apenas o extremo sul da Bahia, conforme se observa na Figura 1c. As maiores reduções da precipitação se concentraram no leste da Região, com anomalias de mais de 200 mm e no norte do Maranhão, com anomalias de até 100 mm.

O mês de julho destacou-se por precipitações de fraca intensidade, no leste do Nordeste, onde se esperava valores significativos. Também se destacou pela ausência de precipitação nas seguintes áreas: oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão, oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba e Pernambuco, e sul e leste do Ceará.

As poucas chuvas e consequente menor quantidade de nebulosidade na Região refletiram no aumento das temperaturas do ar, com anomalias superiores a 3°C, aumentando também a evaporação dos reservatórios e evapotranspiração da vegetação. Dessa forma, os indicadores de seca mostraram expansão das áreas e agravamento na intensidade do quadro de seca em todos os estados da Região.

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Figura 1. Espacialização da precipitação (mm) mensal no mês de julho na região Nordeste do Brasil: (a) precipitação acumulada; (b) climatologia; (c) anomalia de precipitação. Página de procedência da figura: http://proclima.cptec.inpe.br/~rproclima/Moni_NE/precobsclim07.gif

 

Síntese do Traçado do Monitor das Secas de Julho de 2016

Em uma pré-análise, foram considerados os índices SPI e SPEI para 3, 4, 6, 12, 18 e 24 meses, com maior detalhamento para os estados do Ceará (CE), Rio Grande do Norte (RN), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Alagoas (AL) e Bahia (BA) em virtude de uma quantidade maior de pontos e informações que esses estados da região Nordeste do Brasil (NEB) apresentam. No intuito de compensar o déficit de informações, tanto para esses estados quanto para as demais áreas do NEB, foram utilizadas, de forma ampla, os seguintes produtos de apoio: climatologia da precipitação mensal, precipitação observada, anomalia de precipitação do mês de julho (e dos meses anteriores), bem como, o índice de saúde da vegetação (VHI) e o indicador de estresse da evaporação (ESI). Com isso, áreas do NEB, onde há poucos pontos de informações, foi analisada, além de complementar as áreas onde a densidade de informações é maior.

É necessário ressaltar que, para o traçado deste mapa, foi considerada a seca física, levando-se em conta, principalmente, os índices SPI e SPEI, de curto e longo prazo, bem como a colaboração dos validadores dos Estados do Nordeste.

Ao comparar o mapa validado no mês de junho de 2016, na Figura 2 (a), com o mapa do mês de julho de 2016, na Figura 2 (b), verificaram-se algumas mudanças no traçado geral, tais como:

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Figura 2. Mapas do Monitor de Secas do Nordeste em 2016: (a) Junho e (b) R2 – Julho

 

Todo o estado do Maranhão encontra-se com ocorrência de seca com impacto de curto e longo prazo (CL), com intensidade variando de seca moderada (S1) até seca extrema (S3). Houve uma pequena expansão da seca extrema (S3) na divisa com o Piauí e expansão para norte da seca grave (S2) e da seca moderada (S1).

No Piauí, houve uma expansão para as regiões oeste da seca extrema (S3) e surgimento e surgimento de seca excepcional (S4) na área de divisa com Pernambuco. Os impactos permanecem de curto e de longo prazo (CL), sendo a escala da intensidade variando de seca moderada (S1) a seca extrema (S4).

No Ceará, a seca que antes tinha uma escala de severidade variando de fraca (S0) a extrema (S3), em julho houve uma piora no quadro, ficando com uma variação de moderada (S1) a excepcional (S4), permanecendo com impactos de curto e de longo prazo (CL).  Verificou-se uma expansão das áreas de seca grave (S2) e de seca extrema (S3). Destacando-se o surgimento de áreas de seca excepcional (S4) no sul do estado.

No Rio Grande do Norte, houve expansão da seca em todas as áreas. No Litoral sul, onde não havia seca, agora se apresenta com seca fraca (S0) e moderada (S1). No litoral norte, onde a seca variava de seca moderada (S1) a extrema (S3), passou ter uma variação de seca grave (S2) a extrema (S3). Destacando-se o surgimento da área de seca excepcional (S4) na região de divisa com a Paraíba e com o Ceará. Em praticamente todo o estado a seca é de curto e longo prazo (CL), excetuando o litoral sul, onde a seca surgiu nesse mês, sendo considerada seca de curto prazo (C).

Na Paraíba, houve uma expansão para oeste na seca extrema (S3), e para leste na seca de intensidade variando de fraca (S0) a extrema (S3). Encontrando-se todo o estado sofrendo com influência da seca, que tem impacto de curto e longo prazo (CL), com exceção do litoral, onde a seca é de curto prazo (C). Os indicadores mostraram o surgimento de seca extrema (S4) em três áreas do estado, sendo uma na divisa com Rio Grande do Norte e Ceará, e duas áreas na divisa com Pernambuco.

Todo o estado de Pernambuco encontra-se sobre influência de seca, com intensidade variando de seca fraca (S0) a seca excepcional (S4). Destacando-se o surgimento de áreas de seca excepcional nas mesorregiões do Sertão e do Agreste. Houve uma expansão da seca para leste, com o surgimento de seca fraca (S0) no litoral do estado. Os impactos da seca são de curto e longo prazo (CL) em todo Sertão e Agreste, com impacto de curto prazo (C) apenas no extremo leste, nas mesorregiões do Litoral e Zona da Mata, onde se observa seca fraca (S0).

No estado de Alagoas, há seca em todas as regiões, com intensidade variando de seca fraca (S0) no litoral a seca Grave (S3) no Sertão. Com relação ao mês anterior, houve uma pequena expansão da seca grave (S3) para leste, uma redução na intensidade da seca no litoral sul, passando de seca moderada (S1) para seca fraca (S0), e onde havia uma região sem seca no litoral norte, agora se apresenta com seca fraca (S0). No Sertão e Agreste do estado a seca tem impacto de curto e longo prazo (CL) e no Litoral a seca tem impacto de curto prazo (C).

Em Sergipe, a seca varia na intensidade de seca moderada (S1) a seca extrema (S3). Com relação ao mês anterior, houve expansão nas áreas de seca moderada (S1) e de seca grave (S2), bem como o surgimento de uma área se seca extrema (S3) no Sertão do estado que faz divisa com Alagoas e Bahia. Os impactos da seca em todo estado são de curto e de longo prazo (CL).

O estado da Bahia se encontra com toda extensão territorial sofrendo influência de seca com intensidade variando de seca grave (S2) a seca extrema (S3). Houve expansão da área de seca extrema (S3) para o centro do estado e expansão da área de seca grave (S2) para o leste do estado. Em relação ao tipo de impacto, em todas as áreas do estado os impactos são de curto e longo prazo (CL).

Para o traçado do mapa do Monitor de Secas do mês de julho foram utilizadas as considerações feitas na reunião dos autores com os representantes da APAC-PE, ANA-DF, INEMA-BA, FUNCEME-CE e ARESTech, e dos validadores da SEMARH-AL, SEMAR-PI, AESA-PB, EMPARN/EMATER-RN, LABMET/NUGEO/UEMA-MA.

 

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