Avaliação Mensal das Chuvas do Maranhão (janeiro de 2026)
Por Hallan Cerqueira em 9 de fevereiro de 2026
Avaliação mensal da chuva no maranhão (janeiro de 2026)
As chuvas mensais são os totais diários acumulados somados por mês. A importância dessa informação consiste no acompanhamento da evolução, ou retrocesso, das chuvas ao longo do mês, para um comparativo do período chuvoso e seco, com a série histórica nas regiões, ou municípios, em que as chuvas têm se concentrado. Em muitas regiões do estado a seca ou o excesso de chuvas é um problema, uma vez que eventos extremos tanto para mais, quanto para menos, são um fator que tem uma relação direta com a vida cotidiana das pessoas. Sabendo da importância que os valores máximos e mínimos de chuvas que influenciam sobre a sociedade civil, é imprescindível o conhecimento do seu comportamento em relação ao que era esperado na climatologia.
A representação espacial das chuvas é outra importante ferramenta que dá indícios da atuação dos principais sistemas causadores de chuva na escala mensal. O mapeamento da atuação desses sistemas é algo útil à previsibilidade de padrões de futuros eventos significativos de chuvas.
Chuvas diárias observadas em janeiro de 2026
Cada painel representa um dia específico do mês, permitindo analisar a variabilidade temporal e espacial das precipitações ao longo do período. Observa-se que os eventos de chuva ocorreram de forma irregular, tanto em termos de intensidade quanto de abrangência territorial, com alternância entre dias com precipitações localizadas e dias com volumes mais expressivos distribuídos em áreas mais amplas do estado. Em vários dias, os acumulados diários concentraram-se em setores específicos do território maranhense, especialmente nas regiões central, sul e leste, evidenciando a natureza pontual das chuvas em grande parte do mês.
No dia 01, observa-se a ocorrência de chuvas fracas a moderadas, concentradas principalmente em áreas isoladas do sul do estado. No dia 02, os acumulados se intensificam em setores do centro-leste, com registros pontuais de volumes mais elevados. O dia 03 apresenta chuvas mais expressivas em áreas do centro e sudoeste maranhense, enquanto no dia 04 os registros são mais restritos, com precipitações localizadas e de menor intensidade. No dia 05, nota-se novamente a ocorrência de chuvas em faixas mais amplas do território, especialmente no centro-sul. O dia 06 destaca-se pela presença de acumulados moderados a elevados em áreas do centro-norte, ao passo que no dia 07 as chuvas tornam-se bastante pontuais e pouco abrangentes. No dia 08, não se observa a presença significativa de precipitação registrada, indicando um dia predominantemente seco nas áreas com dados disponíveis.
Nos dias 09 e 10, as chuvas retornam de forma localizada, com volumes baixos a moderados distribuídos em setores do leste e centro do estado. O dia 11 apresenta um dos episódios mais expressivos do período, com acumulados mais elevados e maior abrangência espacial, sobretudo no centro e sul do Maranhão. No dia 12, os registros voltam a ser mais restritos, enquanto o dia 13 apresenta chuvas isoladas, porém com intensidade moderada em alguns pontos. O dia 14 evidência novamente um evento mais organizado, com acumulados significativos em uma faixa que atravessa o estado de norte a sul. No dia 15, as precipitações tornam-se mais pontuais, concentrando-se em áreas específicas do Norte. O dia 16 mantém o padrão de chuvas localizadas, com volumes moderados em setores do leste. A partir do dia 17, observa-se um aumento na abrangência espacial das chuvas, com acumulados relevantes em diferentes regiões do estado. Os dias 18 e 19 destacam-se por apresentarem volumes mais elevados e melhor distribuídos espacialmente, contribuindo de forma significativa para o acumulado mensal.
No dia 20, as chuvas permanecem presentes, porém com menor intensidade, enquanto o dia 21 registra novamente acumulados expressivos em áreas do centro-sul. O dia 22 apresenta chuvas moderadas e relativamente bem distribuídas, seguido pelos dias 23 e 24, nos quais os registros tornam-se novamente pontuais e menos intensos. No dia 25, as precipitações são fracas e restritas, enquanto o dia 26 apresenta um novo aumento dos acumulados, com chuvas mais abrangentes e volumes moderados a elevados. O dia 27 se destaca como um dos mais chuvosos do período analisado, com acumulados elevados e ampla distribuição espacial. No dia 28, observa-se a redução das chuvas, com registros mais localizados e de menor intensidade.
A coloração das figuras de chuvas diárias tem três categorias: a baixa, que vai do vermelho ao laranja claro indicando chuvas com baixo volume e pouco significativas; a intermediária, que vai do verde claro ao verde escuro e indica chuvas com volumes mais significativos seguindo um padrão intermediário; a alta, que vai do roxo claro ao roxo escuro e indica volumes significativos de chuvas mostrando eventos extremos.
Total mensal das chuvas observadas em janeiro de 2026
Observa-se uma marcada variabilidade espacial da precipitação, com contrastes bem definidos entre diferentes regiões do estado. Os maiores volumes acumulados concentram-se predominantemente nas regiões centro-sul e sudoeste do Maranhão, onde os totais mensais superam 200 mm em extensas áreas, alcançando valores superiores a 300 mm em pontos localizados. Essas regiões correspondem a áreas com maior disponibilidade hídrica durante o período analisado, favorecendo a recarga do solo e dos corpos hídricos superficiais. Em contrapartida, o norte do estado, especialmente o litoral ocidental e setores da Baixada Maranhense, apresentou baixos acumulados pluviométricos, com valores frequentemente inferiores a 50 mm, indicando um início de estação chuvosa pouco expressivo. No leste maranhense, os totais mensais situaram-se majoritariamente entre 50 e 100 mm, caracterizando condições intermediárias quando comparadas às demais regiões do estado. Esse padrão espacial evidencia uma distribuição heterogênea das chuvas.
Anomalia de Precipitação (mm) observada em janeiro de 2026
Observa-se um predomínio de anomalias negativas em grande parte do território maranhense, indicando que os volumes registrados ficaram abaixo do esperado para o período em amplas áreas do estado. As anomalias mais intensas, com déficits superiores a 200 mm, concentram-se principalmente no norte e noroeste do Maranhão, abrangendo municípios da faixa litorânea ocidental e áreas adjacentes à Baixada Maranhense. Esses valores refletem uma redução expressiva dos acumulados mensais, caracterizando um janeiro marcadamente mais seco do que a média histórica nessas regiões.
No centro-norte e no leste do estado, predominam anomalias negativas moderadas, variando entre −100 mm e −200 mm, indicando chuvas abaixo da climatologia, porém com menor intensidade em comparação às áreas mais críticas do Norte. Por outro lado, o centro-sul e parte do sul maranhense apresentam anomalias próximas da normalidade ou ligeiramente positivas, com excedentes localizados que chegam a valores entre 0 e 50 mm, sugerindo condições pluviométricas mais próximas do padrão esperado. De forma geral, o mapa evidencia uma forte heterogeneidade espacial das anomalias, ressaltando a irregularidade da distribuição das chuvas no estado e seus potenciais impactos sobre a disponibilidade hídrica, o planejamento das atividades agrícolas e o acompanhamento de situações de déficit hídrico no início de 2026.
Categoria das chuvas observada em janeiro de 2026
Observa-se o predomínio expressivo das categorias abaixo do normal e muito abaixo do normal na maior parte do território maranhense, evidenciando um mês caracterizado por volumes pluviométricos inferiores ao esperado para o período. As áreas classificadas como muito abaixo do normal concentram-se principalmente no norte e noroeste do estado, incluindo a faixa litorânea ocidental e setores da Baixada Maranhense, onde os déficits acumulados foram mais intensos. Essas regiões apresentam uma condição pluviométrica significativamente deficitária, com potencial impacto sobre a disponibilidade hídrica superficial e o armazenamento de água no solo.
A categoria abaixo do normal abrange extensas áreas do centro, oeste e sul do Maranhão, indicando que, embora tenham ocorrido precipitações ao longo do mês, os volumes registrados não foram suficientes para atingir os valores médios climatológicos. Por outro lado, áreas classificadas como em torno do normal aparecem de forma pontual, sobretudo no centro-leste e em partes do sul do estado, sugerindo uma distribuição espacial irregular das chuvas. Não se observa a presença significativa das categorias acima do normal ou muito acima do normal, reforçando o caráter predominantemente deficitário das precipitações em janeiro de 2026.
Utilizando a metodologia dos tercis, onde o primeiro tercil (tercil inferior) fica abaixo de 33,3%, e é definido como categoria abaixo do normal (cor vermelha); o segundo tercil fica compreendido entre os valores de 33,3% a 66,6% e é definido como categoria normal (cor amarela) e o terceiro tercil (tercil superior) compreende os valores superiores a 66,6% é definido como categoria acima do normal (cor azul). foram estabelecidas categorias extras como muito seco e muito chuvoso, sendo que as chuvas que ficam abaixo de 16,7% e acima de 100%, são classificadas na categoria “muito abaixo do normal” e “muito acima do normal” respectivamente.
Considerações finais
O mês de janeiro de 2026 foi marcado por uma distribuição espacial e temporal bastante irregular das chuvas no estado do Maranhão. Os acumulados mensais revelaram contrastes regionais significativos, com volumes mais elevados concentrados no centro-sul e sudoeste do estado, enquanto o Norte, o Noroeste e partes do litoral apresentaram baixos totais pluviométricos. As anomalias negativas e a predominância das categorias abaixo do normal e muito abaixo do normal em grande parte do território reforçam o caráter deficitário das precipitações no período analisado. A análise diária mostrou que as chuvas ocorreram de forma episódica e localizada, com poucos dias contribuindo de maneira mais significativa para o acumulado mensal, intercalados por períodos com precipitações fracas ou ausência de registros.
Meteorologistas responsáveis:
Hallan D. Cerqueira
hdmeteorologia@gmail.com
Andréa Helena M. dos Santos Cerqueira
ahmeteoro@gmail.com
glossário: https://portal.inmet.gov.br/glossario/



