Avaliação Mensal das Chuvas do Maranhão (março de 2026)


Por em 12 de maio de 2026



Avaliação mensal da chuva no maranhão (março de 2026)

 

As chuvas mensais são os totais diários acumulados somados por mês. A importância dessa informação consiste no acompanhamento da evolução, ou retrocesso, das chuvas ao longo do mês, para um comparativo do período chuvoso e seco, com a série histórica nas regiões, ou municípios, em que as chuvas têm se concentrado. Em muitas regiões do estado a seca ou o excesso de chuvas é um problema, uma vez que eventos extremos tanto para mais, quanto para menos, são um fator que tem uma relação direta com a vida cotidiana das pessoas. Sabendo da importância que os valores máximos e mínimos de chuvas que influenciam sobre a sociedade civil, é imprescindível o conhecimento do seu comportamento em relação ao que era esperado na climatologia.

A representação espacial das chuvas é outra importante ferramenta que dá indícios da atuação dos principais sistemas causadores de chuva na escala mensal. O mapeamento da atuação desses sistemas é algo útil à previsibilidade de padrões de futuros eventos significativos de chuvas.


Chuvas diárias observadas em março de 2026

 

A figura das chuvas diárias apresenta a evolução espacial da precipitação observada no estado do Maranhão ao longo de março de 2026, evidenciando a persistência da variabilidade temporal característica do auge do período chuvoso regional. Observa-se alternância entre dias com precipitação mais organizada espacialmente, associada à atuação de sistemas convectivos de maior escala, e episódios mais localizados, típicos de convecção isolada. Diferentemente de fevereiro, nota-se maior frequência de dias com redução significativa da área chuvosa, indicando interrupções na atuação de mecanismos de grande escala, como oscilações na posição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e modulações intrassazonais.

Os mapas estão organizados cronologicamente e permitem identificar padrões de propagação, intensificação e enfraquecimento dos núcleos de precipitação ao longo do mês.

Dia 01: Chuvas distribuídas de forma irregular, com núcleos moderados no centro-norte e áreas isoladas no leste.

Dia 02: Intensificação da precipitação no eixo centro-norte, com organização espacial mais evidente.

Dia 03: Formação de bandas de precipitação no sentido noroeste–sudeste, com volumes moderados.

Dia 04: Evento mais expressivo no centro-oeste, com núcleo intenso bem definido.

Dia 05: Redução da intensidade geral, com predomínio de chuvas fracas a moderadas dispersas.

Dia 06: Predomínio de baixos acumulados, com poucos núcleos organizados.

Dia 07: Retorno de atividade convectiva mais intensa no norte e centro-leste.

Dia 08: Redução significativa da precipitação, com ocorrência pontual.

Dia 09: Predomínio de chuvas no centro-sul, com volumes moderados.

Dia 10: Organização em faixa no centro do estado, com núcleos mais intensos localizados.

Dia 11: Intensificação no norte e nordeste, com acumulados moderados a elevados.

Dia 12: Distribuição irregular, com volumes moderados no centro-norte.

Dia 13: Evento mais organizado no eixo central, com padrão alongado.

Dia 14: Predomínio de precipitações moderadas no norte e centro, com boa abrangência espacial.

Dia 15: Redução das chuvas, com núcleos isolados.

Dia 16: Retorno da convecção no norte, com acumulados moderados a localmente elevados.

Dia 17: Evento mais expressivo do mês até então, com ampla cobertura espacial e núcleos intensos no norte.

Dia 18: Manutenção da instabilidade, com precipitação distribuída no centro e leste.

Dia 19: Redução da área chuvosa, mantendo-se volumes moderados no norte.

Dia 20: Evento organizado no centro-sul, com núcleo intenso bem definido.

Dia 21: Forte redução das chuvas, com ocorrência bastante localizada.

Dia 22: Predomínio de baixos acumulados, com poucos núcleos ativos.

Dia 23: Retomada da atividade convectiva no norte e oeste, com volumes moderados.

Dia 24: Distribuição irregular, com núcleos moderados no centro e leste.

Dia 25: Predomínio de chuvas fracas a moderadas no centro-norte.

Dia 26: Organização de núcleos no norte e nordeste, com volumes moderados.

Dia 27: Evento localizado, com precipitação concentrada no norte.

Dia 28: Retomada de padrão mais organizado no centro-norte, com acumulados moderados.

Dia 29: Chuvas distribuídas no norte e oeste, com intensidade moderada.

Dia 30: Evento mais abrangente no centro-norte e sul, com núcleos moderados a fortes.

Dia 31: Redução da atividade convectiva, com precipitação pontual no Norte.

A coloração das figuras de chuvas diárias tem três categorias: a baixa, que vai do vermelho ao laranja claro indicando chuvas com baixo volume e pouco significativas; a intermediária, que vai do verde claro ao verde escuro e indica chuvas com volumes mais significativos seguindo um padrão intermediário; a alta, que vai do roxo claro ao roxo escuro e indica volumes significativos de chuvas mostrando eventos extremos.

 


Total mensal das chuvas observadas em março de 2026

 

A figura do total mensal de precipitação observada no estado do Maranhão em março de 2026 evidencia um padrão espacial bem definido, caracterizado por um gradiente pluviométrico aproximadamente orientado no sentido norte–sul. Os maiores acumulados concentram-se no setor norte e noroeste do estado, enquanto os menores volumes ocorrem no centro-sul e sul maranhense, refletindo a atuação sazonal dos principais sistemas de convecção tropical, especialmente a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que neste período tende a se posicionar mais ao sul, favorecendo a intensificação das chuvas na faixa setentrional do estado.

No extremo norte, incluindo a faixa litorânea e áreas adjacentes, os acumulados mensais superam 500 mm, com núcleos que ultrapassam 600 mm, especialmente na região próxima ao litoral ocidental e entorno de Turiaçu e Santa Helena. No setor norte-central, abrangendo regiões como Zé Doca, Monção e parte de Miranda do Norte, os totais variam predominantemente entre 400 e 500 mm, configurando uma zona de transição entre o núcleo mais chuvoso do litoral e áreas de menor acumulado em direção ao interior.

À medida que se avança para o centro do estado, observa-se uma redução gradual dos acumulados, com valores situados entre 250 e 350 mm, predominando em municípios como Vargem Grande, Chapadinha, Pedreiras e Barra do Corda. No centro-sul e sul maranhense, incluindo áreas como Grajaú, Balsas e entorno de Alto Parnaíba, os acumulados mensais variam entre 150 e 250 mm, com núcleos pontuais ainda mais baixos.

De forma geral, março de 2026 apresenta uma distribuição espacial coerente com o período de máxima atividade pluviométrica no norte do Maranhão, caracterizada por elevados acumulados no litoral e noroeste e redução progressiva em direção ao sul. Esse padrão reforça a forte modulação sazonal da precipitação na região, controlada pela dinâmica de grande escala associada à migração latitudinal dos sistemas de convergência de umidade sobre o norte do Nordeste brasileiro.





Anomalia de Precipitação (mm) observada em março de 2026

A figura da distribuição espacial da anomalia de precipitação observada no estado do Maranhão em março de 2026, expressa em milímetros em relação à climatologia de referência, evidencia um padrão marcadamente heterogêneo, com contraste entre áreas de excedente pluviométrico no norte e setores com déficit significativo no centro, leste e sul do estado.

No extremo norte e faixa litorânea, especialmente nas regiões de Turiaçu, Cururupu e parte do litoral ocidental, predominam anomalias positivas, com valores entre 100 e 200 mm, e núcleos localizados superiores a 200 mm. Ainda no Norte, mas avançando para o interior, observa-se uma zona de transição com anomalias próximas da normalidade ou levemente positivas, abrangendo áreas como Santa Helena, Zé Doca e parte da Baixada Maranhense. Em contraste, grande parte do território maranhense apresenta anomalias negativas, com destaque para uma extensa faixa que se estende do centro ao sul e sudeste do estado. Nessas regiões, os desvios variam predominantemente entre -50 e -200 mm, indicando volumes abaixo da média, mesmo em um mês tipicamente chuvoso.

Os déficits mais expressivos concentram-se no centro-leste e entorno do médio Mearim e Itapecuru, incluindo áreas como Peritoró, Codó, Caxias, Chapadinha e regiões adjacentes, onde os valores atingem classes entre -100 e -200 mm. Observa-se também

um núcleo importante de anomalia negativa no centro do estado, nas proximidades de Miranda do Norte e Bela Vista do Maranhão, com valores que localmente ultrapassam -200 mm, configurando um dos principais focos de déficit do mês. No sul maranhense, incluindo regiões como Grajaú, Balsas e Alto Parnaíba, predominam anomalias levemente negativas a próximas da normalidade, com valores entre 0 e -100 mm, indicando que, embora os acumulados absolutos sejam menores nessa região, o desvio em relação à climatologia foi menos intenso do que no centro-leste.

De forma geral, março de 2026 foi caracterizado por uma distribuição espacial assimétrica das anomalias, com excedentes concentrados no Norte e déficits predominantes no restante do estado. Esse padrão indica que, embora a estação chuvosa estivesse plenamente estabelecida na faixa setentrional, houve irregularidade na distribuição das chuvas no interior do Maranhão.




Categoria das chuvas observada em março de 2026

A figura da classificação categórica das chuvas observadas no estado do Maranhão em março de 2026, em relação à climatologia de referência, evidencia um predomínio expressivo da condição “Em torno do normal” em praticamente todo o território estadual. Esse padrão indica que, apesar das variações espaciais observadas nos acumulados e nas anomalias absolutas, o comportamento pluviométrico médio mensal manteve-se próximo ao esperado para o período em grande parte do estado.

As áreas classificadas como “Abaixo do normal” são pontuais e distribuídas de forma irregular, destacando-se alguns núcleos no centro, centro-leste e sul maranhense. Entre as regiões mais representativas, observam-se áreas no entorno de Miranda do Norte e Bela Vista do Maranhão, além de setores no médio Mearim e no leste do estado, incluindo proximidades de Chapadinha. No sul, destaca-se um núcleo mais amplo na região de Jatobá, Santa Filomena do Maranhão e Fortuna, indicando déficit relativo mais consistente nessa porção do estado.

Observa-se também um núcleo de menor extensão no centro-sul, nas proximidades de Grajaú, além de uma faixa localizada no extremo oeste, próxima à divisa com o Pará, onde a condição “Abaixo do normal” também se manifesta.

Não se observa ocorrência das categorias “Acima do normal” ou “Muito acima do normal”, indicando que, embora tenham sido registrados elevados acumulados no norte do estado, esses valores não foram suficientemente discrepantes em relação à climatologia para configurar excedentes categóricos expressivos.

De forma geral, março de 2026 foi caracterizado por um padrão pluviométrico próximo da normalidade climatológica no Maranhão, com ocorrência de déficits localizados no centro, leste e sul do estado. Esse comportamento reforça a ideia de que, embora a estação chuvosa estivesse estabelecida, sua distribuição espacial foi irregular, sem a predominância de extremos positivos ou negativos em larga escala.

 

Utilizando a metodologia dos tercis, onde o primeiro tercil (tercil inferior) fica abaixo de 33,3%, e é definido como categoria abaixo do normal (cor vermelha); o segundo tercil fica compreendido entre os valores de 33,3% a 66,6% e é definido como categoria normal (cor amarela) e o terceiro tercil (tercil superior) compreende os valores superiores a 66,6% é definido como categoria acima do normal (cor azul). foram estabelecidas categorias extras como muito seco e muito chuvoso, sendo que as chuvas que ficam abaixo de 16,7% e acima de 100%, são classificadas na categoria “muito abaixo do normal” e “muito acima do normal” respectivamente.


Considerações finais

 

Março de 2026 apresentou um regime pluviométrico típico do auge da estação chuvosa no Maranhão, com forte influência da dinâmica sazonal da convecção tropical e da atuação da Zona de Convergência Intertropical sobre a faixa norte do estado. Esse controle de grande escala foi responsável pelos elevados acumulados observados no litoral e no noroeste maranhense, onde a persistência de sistemas convectivos organizados favoreceu a ocorrência de expressivos volumes.

Entretanto, a distribuição espacial das chuvas no interior do estado foi marcada por irregularidade, com alternância entre períodos de atividade convectiva e intervalos de redução significativa da precipitação. Esse comportamento resultou em déficits relativos em áreas do centro, leste e sul. Apesar dessas variações, a predominância da condição “Em torno do normal” indica que o mês não apresentou desvios climáticos generalizados, mas sim uma redistribuição espacial das chuvas dentro do esperado para o período.

De forma integrada, março de 2026 pode ser caracterizado como um mês climaticamente próximo da normalidade no Maranhão, porém com significativa heterogeneidade espacial, refletindo a complexa interação entre forçantes de grande escala e processos convectivos regionais típicos da estação chuvosa amazônico-nordestina.

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Meteorologistas responsáveis:

Hallan D. Cerqueira

CREA-MA nº 112193861-2

hdmeteorologia@gmail.com

glossário: https://portal.inmet.gov.br/glossario/glossario



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