Avaliação Mensal das Chuvas do Maranhão (maio de 2026)


Por em 29 de julho de 2026



Avaliação mensal da chuva no maranhão (maio de 2026)

 

As chuvas mensais são os totais diários acumulados somados por mês. A importância dessa informação consiste no acompanhamento da evolução, ou retrocesso, das chuvas ao longo do mês, para um comparativo do período chuvoso e seco, com a série histórica nas regiões, ou municípios, em que as chuvas têm se concentrado. Em muitas regiões do estado a seca ou o excesso de chuvas é um problema, uma vez que eventos extremos tanto para mais, quanto para menos, são um fator que tem uma relação direta com a vida cotidiana das pessoas. Sabendo da importância que os valores máximos e mínimos de chuvas que influenciam sobre a sociedade civil, é imprescindível o conhecimento do seu comportamento em relação ao que era esperado na climatologia.

A representação espacial das chuvas é outra importante ferramenta que dá indícios da atuação dos principais sistemas causadores de chuva na escala mensal. O mapeamento da atuação desses sistemas é algo útil à previsibilidade de padrões de futuros eventos significativos de chuvas.


Chuvas diárias observadas em maio de 2026

 

A figura das chuvas diárias apresenta a evolução espacial da precipitação observada no estado do Maranhão ao longo de maio de 2026, evidenciando a continuidade da redução sazonal das chuvas sobre grande parte do estado. Os mapas, organizados cronologicamente, mostram que a precipitação permaneceu concentrada predominantemente na faixa norte maranhense, enquanto o centro, sul e sudoeste registraram poucos episódios chuvosos ao longo do mês. Observa-se elevada variabilidade temporal, com alternância entre dias de maior organização da precipitação no litoral e períodos de precipitação bastante restrita, característica da transição para o período menos chuvoso no interior do estado.

De forma geral, maio de 2026 foi marcado pela concentração das chuvas na faixa norte do Maranhão, enquanto o centro, sul e sudoeste permaneceram praticamente sem precipitação durante grande parte do mês. Os eventos mais significativos ocorreram nos dias 07, 10, 26, 30 e 31, evidenciando que a atividade convectiva passou a ocorrer de forma cada vez mais restrita ao litoral e ao extremo norte do estado, comportamento compatível com o avanço da estação seca sobre o interior maranhense.

*A coloração das figuras de chuvas diárias tem três categorias: a baixa, que vai do vermelho ao laranja claro indicando chuvas com baixo volume e pouco significativas; a intermediária, que vai do verde claro ao verde escuro e indica chuvas com volumes mais significativos seguindo um padrão intermediário; a alta, que vai do roxo claro ao roxo escuro e indica volumes significativos de chuvas mostrando eventos extremos.

 


Total mensal das chuvas observadas em maio de 2026

 

A figura do total mensal de precipitação observada no estado do Maranhão em maio de 2026 evidencia um padrão espacial característico do avanço da estação seca sobre o interior do estado, com as chuvas concentradas predominantemente no norte e nordeste maranhense e redução acentuada dos acumulados em direção ao centro-sul e sul. Esse comportamento reflete o deslocamento sazonal da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para latitudes mais ao norte, reduzindo gradativamente a disponibilidade de umidade sobre grande parte do território maranhense. Os maiores acumulados concentram-se no extremo norte, especialmente na faixa litorânea e na Baixada Maranhense, onde os totais mensais variam entre 350 e 450 mm, com núcleos localizados próximos a 400 mm nas proximidades de Turiaçu e do litoral ocidental. Essa região manteve elevada frequência de precipitações ao longo do mês, favorecida pela atuação residual da ZCIT e por sistemas convectivos costeiros.

No centro-norte do estado, abrangendo regiões como Zé Doca, Monção, Miranda do Norte, Vargem Grande e Chapadinha, os acumulados situam-se predominantemente entre 200 e 300 mm, formando uma ampla faixa de transição entre o litoral mais úmido e o interior do estado. Observam-se ainda núcleos com totais próximos de 300 mm no leste maranhense, especialmente na região de Timbiras e Chapadinha. À medida que se avança para o centro do Maranhão, os volumes reduzem-se para valores entre 100 e 200 mm, enquanto o centro-sul apresenta acumulados predominantemente entre 50 e 100 mm. No sul e sudoeste maranhense, incluindo regiões como Carolina, Riachão, Fortaleza dos Nogueiras e parte de Alto Parnaíba, predominam totais inferiores a 50 mm, com extensas áreas registrando acumulados entre 2 e 25 mm, caracterizando o estabelecimento da estação seca nessa porção do estado.

De forma geral, maio de 2026 apresentou um gradiente pluviométrico bastante acentuado no sentido norte–sul, evidenciando a retração das chuvas para a faixa litorânea e norte do Maranhão. Esse padrão marca a transição para o período seco no interior do estado, mantendo elevados acumulados apenas nas regiões diretamente influenciadas pelos sistemas atmosféricos que ainda atuam sobre o litoral e o extremo norte maranhense.





Anomalia de Precipitação (mm) observada em maio de 2026

A figura da distribuição espacial da anomalia de precipitação observada no estado do Maranhão em maio de 2026, expressa em milímetros em relação à climatologia de referência, evidencia um predomínio de desvios de pequena magnitude sobre grande parte do território estadual, intercalados por áreas localizadas de excedente e déficit pluviométrico. De modo geral, observa-se que as anomalias positivas se concentram principalmente no norte e nordeste do estado, enquanto os déficits mais expressivos ocorrem em setores do oeste, centro e sul maranhense. Os principais excedentes pluviométricos concentram-se na faixa norte do estado, abrangendo a Baixada Maranhense, o litoral e regiões próximas a Centro do Guilherme, Santa Helena, Viana e São Luís, onde predominam anomalias entre 50 e 150 mm. Núcleos positivos também são observados no leste maranhense, especialmente nas proximidades de Timbiras, Buriti e Coelho Neto, indicando acumulados acima da média climatológica nessas localidades.

Em contraste, as anomalias negativas distribuem-se de forma mais ampla pelo interior do estado. Os déficits mais significativos concentram-se no oeste maranhense, abrangendo regiões como Tufilândia, Buriticupu e áreas próximas à divisa com o Pará, onde os desvios variam predominantemente entre -50 e -100 mm, com núcleos localizados próximos de -200 mm. Déficits de menor intensidade também são observados no centro-leste, nas proximidades de Santa Filomena do Maranhão, Jatobá e Fortuna, além de áreas isoladas do sudoeste maranhense. Grande parte do centro e sul do Maranhão apresenta anomalias entre -50 e 0 mm, indicando precipitações ligeiramente inferiores à climatologia, porém sem desvios expressivos. Esse comportamento demonstra que, apesar da redução sazonal das chuvas típica do mês de maio, os acumulados observados permaneceram próximos do esperado em boa parte do estado.


Categoria das chuvas observada em maio de 2026

A figura da classificação categórica das chuvas observadas no estado do Maranhão em maio de 2026, em relação à climatologia de referência, evidencia um padrão espacial compatível com a transição para a estação seca no interior do estado. Observa-se o predomínio da condição “Em torno do normal” no norte, nordeste e em parte do centro-norte maranhense, indicando que os acumulados mensais nessas regiões permaneceram próximos ao comportamento climatológico esperado para o período. Em contraste, extensas áreas do centro, sudoeste, sul e sudeste do Maranhão foram classificadas como “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal”, refletindo a ocorrência de precipitações significativamente inferiores ao padrão climatológico. A categoria “Muito abaixo do normal” concentra-se principalmente nas regiões de Carolina, Riachão, Fortaleza dos Nogueiras, Alto Parnaíba e parte do sul de Balsas, estendendo-se também para setores do centro-sul, incluindo áreas próximas a Colinas, Jatobá e São Félix de Balsas. Essas áreas configuram os principais núcleos de déficit relativo observados durante o mês.

A categoria “Abaixo do normal” forma uma ampla faixa de transição entre o norte e o sul do estado, abrangendo municípios como Buriticupu, Imperatriz, Grajaú, Barra do Corda, Santa Filomena do Maranhão e Fortuna, evidenciando que a redução das chuvas ocorreu de maneira gradual em direção ao interior. No extremo leste, próximo ao litoral de Araioses, observa-se ainda um pequeno núcleo classificado como “Abaixo do normal”, indicando déficit localizado nessa região. Predominam as categorias “Em torno do normal”, “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal” no estado. Observa-se, entretanto, um pequeno núcleo classificado como “Acima do normal” nas proximidades de Coelho Neto, no leste maranhense. Devido à sua reduzida extensão espacial, essa área não altera o padrão predominante do mês, caracterizado pela ocorrência de condições próximas da normalidade no norte e por déficits pluviométricos no centro-sul e sul do estado.

 

A categorização da precipitação foi realizada por meio da metodologia dos tercis, considerando a série histórica de totais anuais de precipitação do período de 1991 a 2020. Para cada célula da grade espacial, os valores mensais foram ordenados e utilizados para calcular os quantis de 33,33% e 66,67%, correspondentes ao primeiro e ao segundo tercis, respectivamente. Os valores inferiores ao primeiro tercil foram classificados como abaixo do normal, representados pela cor vermelha; os valores compreendidos entre o primeiro e o segundo tercis foram classificados como normais, representados pela cor amarela; e os valores superiores ao segundo tercil foram classificados como acima do normal, representados pela cor azul


Considerações finais

 

Maio de 2026 consolidou a transição para o período seco no Maranhão, evidenciada pela retração das chuvas para a faixa norte do estado e pela redução acentuada dos acumulados no centro, sul e sudoeste maranhense. A distribuição diária das precipitações mostrou que os eventos chuvosos se tornaram menos frequentes e mais concentrados no litoral e na Baixada Maranhense, enquanto extensas áreas do interior registraram poucos episódios de chuva ao longo do mês. Os acumulados mensais mantiveram-se elevados apenas no norte e nordeste, onde a atuação residual da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ainda favoreceu a ocorrência de precipitações significativas. Em contrapartida, grande parte do interior apresentou totais reduzidos, refletindo o enfraquecimento sazonal dos sistemas atmosféricos responsáveis pela precipitação sobre o estado.

A análise das anomalias e da classificação categórica reforça esse comportamento, evidenciando condições próximas da normalidade na faixa norte e déficits pluviométricos predominantes no centro-sul e sul maranhense, onde se destacam áreas classificadas como “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal”. Esse padrão indica que a redução das chuvas foi mais intensa nessas regiões do que normalmente ocorre para o mês de maio.De forma integrada, maio de 2026 caracterizou-se pelo avanço consistente da estação seca sobre o interior do Maranhão, mantendo a atividade pluviométrica concentrada no litoral e no extremo norte do estado. Esse comportamento está em consonância com a climatologia regional e evidencia a influência da migração sazonal da ZCIT sobre a distribuição espacial das chuvas durante esse período.

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Meteorologistas responsáveis:

Hallan D. Cerqueira

CREA-MA nº 112193861-2

hdmeteorologia@gmail.com

glossário: https://portal.inmet.gov.br/glossario/glossario



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