Avaliação Mensal das Chuvas do Maranhão (junho de 2026)


Por em 4 de agosto de 2026



Avaliação mensal da chuva no maranhão (junho de 2026)

 

As chuvas mensais são os totais diários acumulados somados por mês. A importância dessa informação consiste no acompanhamento da evolução, ou retrocesso, das chuvas ao longo do mês, para um comparativo do período chuvoso e seco, com a série histórica nas regiões, ou municípios, em que as chuvas têm se concentrado. Em muitas regiões do estado a seca ou o excesso de chuvas é um problema, uma vez que eventos extremos tanto para mais, quanto para menos, são um fator que tem uma relação direta com a vida cotidiana das pessoas. Sabendo da importância que os valores máximos e mínimos de chuvas que influenciam sobre a sociedade civil, é imprescindível o conhecimento do seu comportamento em relação ao que era esperado na climatologia.

A representação espacial das chuvas é outra importante ferramenta que dá indícios da atuação dos principais sistemas causadores de chuva na escala mensal. O mapeamento da atuação desses sistemas é algo útil à previsibilidade de padrões de futuros eventos significativos de chuvas.


Chuvas diárias observadas em junho de 2026

 

A figura das chuvas diárias apresenta a evolução espacial da precipitação observada no estado do Maranhão ao longo de junho de 2026, evidenciando a consolidação da estação seca sobre grande parte do território maranhense. Os mapas mostram que a ocorrência de chuva ficou praticamente restrita à faixa norte e nordeste do estado, com extensos períodos sem precipitação no centro, sul e sudoeste. A atividade convectiva apresentou baixa frequência e distribuição espacial bastante limitada, concentrando-se principalmente no litoral e na Baixada Maranhense, característica típica desse período do ano.

De forma geral, as chuvas diárias de junho de 2026 foram caracterizadas pela forte redução da atividade pluviométrica sobre o Maranhão, com as chuvas ocorrendo quase exclusivamente no litoral e no extremo norte do estado. Os eventos mais relevantes concentraram-se nos dias 10, 11, 18, 19, 28 e 29, enquanto grande parte do mês foi marcada por precipitações esparsas ou ausência de chuva, evidenciando o estabelecimento da estação seca sobre o interior maranhense.

*A coloração das figuras de chuvas diárias tem três categorias: a baixa, que vai do vermelho ao laranja claro indicando chuvas com baixo volume e pouco significativas; a intermediária, que vai do verde claro ao verde escuro e indica chuvas com volumes mais significativos seguindo um padrão intermediário; a alta, que vai do roxo claro ao roxo escuro e indica volumes significativos de chuvas mostrando eventos extremos.

 


Total mensal das chuvas observadas em junho de 2026

 

A figura do total mensal de precipitação observada no estado do Maranhão em junho de 2026 evidencia a consolidação da estação seca sobre grande parte do território maranhense, com as chuvas concentradas predominantemente no extremo norte e redução acentuada dos acumulados em direção ao centro, sul e sudoeste do estado. Esse padrão é compatível com a migração sazonal da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para latitudes mais ao norte, limitando a ocorrência de precipitações às regiões mais próximas do litoral. Os maiores acumulados concentram-se no norte maranhense, especialmente na faixa compreendida entre Turiaçu, Santa Helena, Monção e Cajari, onde os totais mensais variam predominantemente entre 150 e 250 mm, com núcleos localizados entre 250 e 300 mm. Essa região permaneceu sob maior influência dos sistemas convectivos associados à circulação atmosférica sobre o litoral norte, mantendo precipitações relativamente frequentes durante o mês.

Na porção centro-norte, abrangendo municípios como Zé Doca, Miranda do Norte, Vargem Grande e Chapadinha, observa-se uma redução dos acumulados para valores entre 50 e 100 mm, configurando uma faixa de transição entre o setor mais úmido do norte e o interior do estado. Em parte do leste maranhense, os totais situam-se entre 25 e 50 mm, refletindo a diminuição da atividade convectiva nessa região. O centro, sul e sudoeste do Maranhão apresentaram os menores volumes de precipitação do mês. Em uma extensa área que abrange municípios como Barra do Corda, Grajaú, Colinas, Fortuna, Carolina e Riachão, os acumulados ficaram predominantemente entre 2 e 25 mm, enquanto áreas do extremo sul registraram valores inferiores a 2 mm, caracterizando condições típicas da estação seca.

De forma geral, junho de 2026 apresentou um gradiente pluviométrico bastante pronunciado no sentido norte–sul, com a atividade chuvosa praticamente restrita ao extremo norte do estado e precipitações muito reduzidas sobre o interior maranhense. Esse padrão confirma o estabelecimento da estação seca em grande parte do Maranhão, mantendo condições mais úmidas apenas nas áreas sob influência direta da circulação atmosférica costeira e dos remanescentes da atuação da ZCIT.





Anomalia de Precipitação (mm) observada em junho de 2026

A figura da distribuição espacial da anomalia de precipitação observada no estado do Maranhão em junho de 2026, expressa em milímetros em relação à climatologia de referência, evidencia um predomínio de anomalias negativas de baixa magnitude em praticamente todo o estado, indicando que os acumulados observados permaneceram, em geral, ligeiramente inferiores aos valores climatológicos esperados para o período. Em contrapartida, os excedentes pluviométricos restringiram-se a pequenas áreas isoladas no centro-norte e leste maranhense. No norte do estado predominam anomalias entre -50 e -100 mm, abrangendo regiões como Turiaçu, Santa Helena e Centro do Guilherme, com alguns núcleos de déficit moderado entre -200 e -50 mm próximos ao litoral e ao nordeste maranhense, incluindo áreas de São Luís e Santo Amaro do Maranhão.

As anomalias positivas concentram-se em uma pequena área do centro-norte, nas proximidades de Viana, Presidente Vargas e Miranda do Norte, onde os desvios variam entre 50 e 100 mm, além de pequenos núcleos isolados nas proximidades de Timbiras e Caxias. Essas áreas representam os principais setores em que os acumulados superaram a média climatológica durante o mês, porém com reduzida abrangência espacial. No restante do Maranhão predominam anomalias entre -50 e 0 mm, indicando precipitações próximas da normalidade, porém levemente inferiores ao esperado para o período. Esse comportamento é observado desde o oeste até o sul e sudeste do estado, sem ocorrência de déficits expressivos ou excedentes significativos em larga escala.


Categoria das chuvas observada em junho de 2026

A figura da classificação categórica das chuvas observadas no estado do Maranhão em junho de 2026, em relação à climatologia de referência, evidencia o predomínio das categorias “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal” sobre grande parte do território maranhense, refletindo a consolidação da estação seca e a redução significativa da atividade pluviométrica durante o mês. A categoria “Muito abaixo do normal” concentra-se principalmente no centro, sul e sudoeste do estado, abrangendo extensas áreas dos municípios de Grajaú, Barra do Corda, Fortaleza dos Nogueiras, Riachão, Carolina, São Félix de Balsas e Alto Parnaíba.

A condição “Abaixo do normal” forma uma ampla faixa de transição que se estende pelo norte, oeste, centro e leste maranhense, incluindo regiões como Santa Helena, Centro do Guilherme, Bacabal, São Mateus do Maranhão, Santa Filomena do Maranhão, Colinas, Caxias e parte do litoral oriental. As áreas classificadas como “Em torno do normal” restringem-se a faixas descontínuas distribuídas entre o oeste e o centro-norte do estado, além de pequenos setores do leste maranhense, indicando locais onde os acumulados permaneceram próximos do comportamento climatológico esperado. Observam-se ainda pequenos núcleos classificados como “Acima do normal” nas proximidades de Viana e Presidente Vargas, bem como áreas pontuais no entorno de Caxias e Coelho Neto. Essas ocorrências possuem reduzida extensão espacial e não alteram o padrão predominante observado no estado.

A categorização da precipitação foi realizada por meio da metodologia dos tercis, considerando a série histórica de totais anuais de precipitação do período de 1991 a 2020. Para cada célula da grade espacial, os valores mensais foram ordenados e utilizados para calcular os quantis de 33,33% e 66,67%, correspondentes ao primeiro e ao segundo tercis, respectivamente. Os valores inferiores ao primeiro tercil foram classificados como abaixo do normal, representados pela cor vermelha; os valores compreendidos entre o primeiro e o segundo tercis foram classificados como normais, representados pela cor amarela; e os valores superiores ao segundo tercil foram classificados como acima do normal, representados pela cor azul


Considerações finais

 

Junho de 2026 marcou o estabelecimento da estação seca sobre o Maranhão, com forte redução da frequência e da distribuição espacial das chuvas em comparação aos meses anteriores. A análise das precipitações diárias evidenciou que os eventos chuvosos ficaram praticamente restritos ao litoral e ao extremo norte do estado, enquanto o centro, sul e sudoeste permaneceram longos períodos sem registros significativos de chuva. Os totais mensais confirmaram esse comportamento, apresentando um acentuado gradiente pluviométrico entre o norte e o sul do estado. Os maiores acumulados concentraram-se no norte maranhense, especialmente na região da Baixada Maranhense e do litoral ocidental, enquanto grande parte do centro-sul registrou totais inferiores a 25 mm, com áreas do extremo sul apresentando precipitações praticamente inexistentes.

A análise das anomalias revelou que, embora tenham ocorrido pequenos núcleos com desvios positivos no centro-norte do estado, predominam anomalias negativas de baixa magnitude na maior parte do Maranhão, indicando precipitações ligeiramente inferiores à climatologia de junho. A classificação categórica reforça esse padrão ao evidenciar o predomínio das categorias “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal”, sobretudo no centro, sul e sudoeste maranhense, enquanto áreas “Em torno do normal” restringiram-se a faixas descontínuas e apenas pequenos núcleos foram classificados como “Acima do normal”.

De forma integrada, os resultados demonstram que junho de 2026 apresentou um comportamento compatível com o avanço sazonal da estação seca, porém com condições predominantemente mais secas que o esperado em grande parte do estado. A retração da influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e a consequente redução da atividade convectiva favoreceram a consolidação do período seco sobre o interior maranhense, mantendo as precipitações concentradas apenas no extremo norte e em setores próximos ao litoral.

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Meteorologistas responsáveis:

Hallan D. Cerqueira

CREA-MA nº 112193861-2

hdmeteorologia@gmail.com

glossário: https://portal.inmet.gov.br/glossario/glossario



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