Avaliação Mensal das Chuvas do Maranhão (julho de 2026)
Por Hallan Cerqueira em 13 de agosto de 2026
Avaliação mensal da chuva no maranhão (julho de 2026)
As chuvas mensais são os totais diários acumulados somados por mês. A importância dessa informação consiste no acompanhamento da evolução, ou retrocesso, das chuvas ao longo do mês, para um comparativo do período chuvoso e seco, com a série histórica nas regiões, ou municípios, em que as chuvas têm se concentrado. Em muitas regiões do estado a seca ou o excesso de chuvas é um problema, uma vez que eventos extremos tanto para mais, quanto para menos, são um fator que tem uma relação direta com a vida cotidiana das pessoas. Sabendo da importância que os valores máximos e mínimos de chuvas que influenciam sobre a sociedade civil, é imprescindível o conhecimento do seu comportamento em relação ao que era esperado na climatologia.
A representação espacial das chuvas é outra importante ferramenta que dá indícios da atuação dos principais sistemas causadores de chuva na escala mensal. O mapeamento da atuação desses sistemas é algo útil à previsibilidade de padrões de futuros eventos significativos de chuvas.
Chuvas diárias observadas em julho de 2026
A distribuição das chuvas diárias observadas no Maranhão durante julho de 2026 evidencia a consolidação do período seco em grande parte do estado. Ao longo do mês, predominou a ausência de precipitação no centro e sul maranhense, enquanto os registros de chuva ocorreram de forma esparsa e, na maioria dos dias, com baixos acumulados. Nos primeiros dias do mês, as precipitações ficaram concentradas principalmente no extremo norte e na faixa litorânea, com registros nos dias 01, 02, 04, 05, 07 e 08. Destaca-se o dia 07, quando foram observados acumulados moderados no litoral norte. Entre os dias 09 e 13, a atividade pluviométrica foi bastante reduzida, com ocorrência apenas de núcleos isolados nos dias 09, 12 e 13.
A maior atividade pluviométrica do mês ocorreu entre os dias 14 e 15. No dia 14, as chuvas atingiram principalmente setores do sul e sudeste do estado, com núcleo de maior intensidade próximo à divisa com o Piauí. No dia 15, a precipitação apresentou maior abrangência espacial, alcançando áreas do norte, centro e leste maranhense, com acumulados localmente entre 30 e 60 mm. Posteriormente, entre os dias 16 e 23, as chuvas voltaram a ocorrer de maneira bastante localizada, intercaladas por vários dias praticamente sem precipitação. No final do mês, foram registrados novos episódios nos dias 24, 25, 27, 28 e 29, porém predominantemente com baixos acumulados e distribuição espacial restrita. Nos dias 26, 30 e 31, praticamente não foram observadas chuvas no estado.
De forma geral, julho de 2026 apresentou baixa frequência e reduzida abrangência espacial das precipitações, com predomínio de dias secos sobre grande parte do Maranhão. Os poucos eventos mais significativos ocorreram de maneira isolada, destacando-se principalmente os dias 07, 14 e 15, comportamento característico do período de estiagem no estado.
*A coloração das figuras de chuvas diárias tem três categorias: a baixa, que vai do vermelho ao laranja claro indicando chuvas com baixo volume e pouco significativas; a intermediária, que vai do verde claro ao verde escuro e indica chuvas com volumes mais significativos seguindo um padrão intermediário; a alta, que vai do roxo claro ao roxo escuro e indica volumes significativos de chuvas mostrando eventos extremos.
Total mensal das chuvas observadas em julho de 2026
A figura do total mensal de precipitação observada no Maranhão em julho de 2026 evidencia baixos acumulados em grande parte do estado, compatíveis com o período seco, embora com maior concentração das chuvas nas porções norte e nordeste. A distribuição espacial apresenta forte contraste entre essas áreas e o centro-sul maranhense, onde predominam volumes reduzidos ou praticamente ausência de precipitação. Os maiores acumulados ocorreram no extremo norte e noroeste, onde foram observados totais entre 100 e 200 mm, especialmente em setores próximos ao litoral ocidental. Na faixa que abrange parte da Baixada Maranhense e do norte do estado, incluindo áreas próximas a Turiaçu, Cajari e municípios adjacentes, os volumes variaram predominantemente entre 50 e 100 mm. No nordeste maranhense, os acumulados foram menores, em geral entre 25 e 50 mm, com redução em direção ao interior.
Uma extensa faixa do centro do estado, abrangendo áreas próximas a Buriticupu, Imperatriz, Grajaú, Barra do Corda, Lago da Pedra, Peritoró, Timbiras e Caxias, apresentou acumulados predominantemente entre 2 e 25 mm. Valores nessa mesma faixa também foram observados em setores do sudoeste e extremo sul. Em contraste, áreas do centro-sul e sul registraram volumes inferiores a 2 mm, incluindo setores próximos a Fortaleza dos Nogueiras, Alto Parnaíba e áreas adjacentes.
De forma geral, julho de 2026 foi marcado por baixos acumulados pluviométricos em grande parte do Maranhão, com os maiores volumes restritos principalmente ao extremo norte. O padrão espacial observado confirma a consolidação do período seco no interior do estado, caracterizado pela redução da frequência das chuvas e pelo predomínio de baixos totais mensais no centro, sul e sudoeste maranhense.
Anomalia de Precipitação (mm) observada em julho de 2026
A figura da distribuição espacial da anomalia de precipitação observada no Maranhão em julho de 2026, expressa em milímetros em relação à climatologia de referência, evidencia um padrão predominantemente próximo da normalidade em grande parte do estado, porém com ocorrência de déficits mais marcantes no norte e de excedentes localizados no sudeste maranhense. As anomalias negativas concentram-se principalmente no norte e nordeste do estado, onde predominam valores entre -50 e 0 mm, abrangendo áreas do litoral ocidental, Baixada Maranhense e parte do litoral oriental. Núcleos mais intensos, entre -100 e -50 mm, aparecem em setores próximos a Turiaçu, São Luís e Santo Amaro do Maranhão, indicando precipitação abaixo da climatologia nessas regiões.
No centro-norte e parte do oeste maranhense, observa-se uma ampla faixa com anomalias próximas da normalidade, variando predominantemente entre 0 e 50 mm, incluindo regiões próximas a Zé Doca, Cajari, Cantanhede, Bela Vista do Maranhão, Lago da Pedra e Barra do Corda. Esse padrão indica que, apesar dos baixos acumulados absolutos observados em julho, os volumes permaneceram compatíveis com o esperado climatologicamente para o período seco. Os principais excedentes pluviométricos concentram-se no sudeste do estado, especialmente nas proximidades de Mirador e da divisa com o Piauí, onde as anomalias variam entre 50 e 150 mm, com pequeno núcleo entre 150 e 200 mm. Esse setor representa a principal área com precipitação acima do esperado no mês.
Categoria das chuvas observada em julho de 2026
A figura da classificação categórica das chuvas observadas no Maranhão em julho de 2026, em relação à climatologia de referência, evidencia elevada variabilidade espacial, com alternância entre áreas “Muito acima do normal”, “Em torno do normal”, “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal”. Diferentemente do mês anterior, destaca-se uma extensa área com precipitações proporcionalmente superiores ao esperado no centro-sul e sul do estado. A categoria “Muito acima do normal” abrange grande parte do centro-sul e sul maranhense, incluindo áreas próximas a Grajaú, São João do Paraíso, Carolina, Fortaleza dos Nogueiras, Mirador e Benedito Leite, estendendo-se até setores do sudeste do estado. Apesar dos baixos volumes absolutos registrados em muitas dessas áreas, a classificação elevada indica que os acumulados observados superaram de forma expressiva os baixos valores climatológicos característicos de julho. No extremo sul também ocorre uma área classificada como “Muito acima do normal”, separada por um núcleo de condição inferior nas proximidades de Alto Parnaíba.
As condições “Em torno do normal” predominam em uma faixa do centro-norte e oeste, abrangendo áreas próximas a Zé Doca, Penalva, Cajari, Cantanhede, Vargem Grande, Chapadinha, Açailândia, Lago da Pedra e Barra do Corda. Pequenos núcleos “Acima do normal” também são observados no centro-norte, principalmente nas proximidades de Cajari, Cantanhede e Bela Vista do Maranhão. Em contraste, as categorias “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal” aparecem em diferentes setores do estado. As condições abaixo da normalidade abrangem partes do norte e litoral, oeste e centro-leste, enquanto os principais núcleos “Muito abaixo do normal” ocorrem no litoral próximo a São Luís e Santo Amaro do Maranhão, no leste nas proximidades de Caxias e em parte do extremo sul.
A categorização da precipitação foi realizada por meio da metodologia dos tercis, considerando a série histórica de totais anuais de precipitação do período de 1991 a 2020. Para cada célula da grade espacial, os valores mensais foram ordenados e utilizados para calcular os quantis de 33,33% e 66,67%, correspondentes ao primeiro e ao segundo tercis, respectivamente. Os valores inferiores ao primeiro tercil foram classificados como abaixo do normal, representados pela cor vermelha; os valores compreendidos entre o primeiro e o segundo tercis foram classificados como normais, representados pela cor amarela; e os valores superiores ao segundo tercil foram classificados como acima do normal, representados pela cor azul
Considerações finais
Julho de 2026 foi caracterizado pela consolidação do período seco em grande parte do Maranhão, com baixa frequência de precipitação e predomínio de dias sem chuva, principalmente nas regiões central e sul. Os eventos pluviométricos ocorreram de forma irregular e localizada, com maior concentração na faixa norte e episódios isolados em outras áreas do estado. Os acumulados mensais foram mais elevados no extremo norte, alcançando valores superiores a 100 mm em alguns setores, enquanto grande parte do centro, oeste e sul apresentou totais inferiores a 25 mm, incluindo áreas com precipitação inferior a 2 mm. Apesar dos baixos volumes absolutos, a análise das anomalias mostrou que grande parte do centro e sul apresentou valores próximos ou superiores à climatologia, com excedentes mais expressivos no sudeste maranhense. Por outro lado, os principais déficits concentraram-se no norte e nordeste do estado.
A classificação categórica reforça o contraste espacial observado durante o mês. Condições “Abaixo do normal” e “Muito abaixo do normal” ocorreram principalmente em setores do norte, litoral e leste, enquanto uma extensa área do centro-sul e sul foi classificada como “Muito acima do normal”. Ressalta-se que essa classificação deve ser interpretada em conjunto com os acumulados absolutos, pois julho apresenta climatologicamente baixos volumes de precipitação no centro-sul maranhense, fazendo com que eventos isolados possam resultar em desvios relativos elevados. Julho de 2026 manteve o padrão sazonal de estiagem no Maranhão, com baixos acumulados e chuvas espacialmente irregulares, embora tenham ocorrido diferenças importantes em relação à climatologia entre as regiões do estado.
link para o download do boletim em PDF aqui
Meteorologistas responsáveis:
Hallan D. Cerqueira
CREA-MA nº 112193861-2
hdmeteorologia@gmail.com
glossário: https://portal.inmet.gov.br/glossario/glossario



